Experiência que faz a Diferença: Núcleo de Estudo e Prevenção do Suicídio (NEPS)

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“Há sempre possibilidade de melhora e acreditar no potencial humano faz toda diferença”. A afirmação da Dra. Maíra Cerqueira, terapeuta ocupacional, reflete a forma como os profissionais do Núcleo de Estudo e Prevenção do Suicídio (NEPS) lidam com os usuários que são atendidos após tentarem suicídio. Composto por terapeutas ocupacionais, psicólogos, psiquiatras e enfermeira, o NEPS, desde sua criação, em 2007, tem obtido resultados positivos no tratamento e acolhimento de pessoas que, por diferentes motivos, em um momento de dor e desespero, atentam contra a própria vida e também de pessoas que podem realizar um ato suicida pela primeira vez.

Neste processo, a Terapia Ocupacional está presente desde o início, no momento da triagem, quando se avaliam os fatores de risco, histórico e a gravidade dos casos, passando pelo atendimento individual, com a identificação das dificuldades e das possibilidades de intervenção para auxiliar o usuário a retomar ou redirecionar melhor suas atividades, e pelo atendimento de grupo, com a realização de atividades em conjunto, como laboratórios da vida cotidiana, oficinas de informação e oficinas de produção literária.

Em geral, o público atendido tem entre 15 e 50 anos de idade, é formado em sua maioria por mulheres, grupo que corresponde a aproximadamente 80% do total, com histórico de abuso sexual, negligência ou abuso físico na infância. Um dado chama a atenção: se, por um lado, as mulheres tentam  mais suicídio, por outro os homens morrem mais por suicídio, uma vez que estes utilizam métodos com potencial mais letal, o que tornam ineficazes as tentativas de salvá-los após o ato. Os homens, na maioria das vezes, iniciam um processo depressivo ainda na adolescência, mas, por não estarem acostumados a falar abertamente das suas dores, guardam suas angústias para si até realizarem o ato suicida.

E, ao contrário do que se imagina, crianças, infelizmente, também tentam tirar a própria vida. Nos casos de tentativas de suicídio das crianças atendidas no Núcleo, os principais fatores foram: violência doméstica, negligência e abandono, além de doença mental na família e casos de suicídio no grupo familiar.

Outra questão importante é que a maioria dos usuários é reincidente, ou seja, tentou suicídio mais de uma vez, em alguns casos chegando a 40 tentativas. Por isso, é imprescindível dedicar uma atenção muito especial a quem tem comportamento suicida. “Os usuários têm o nosso celular e podem entrar em contato a qualquer horário e dia porque não tem hora para a dor aparecer, não tem hora para o pensamento de morte surgir. Então, a gente se coloca à disposição 24 horas por dia para dar suporte a esta pessoa”, destaca Dra. Maíra Cerqueira, que faz parte da equipe do NEPS desde 2008.

O suicídio é um tema que deve ser discutido em sua complexidade com a participação de profissionais de diversas áreas, representantes de serviços de saúde, usuários e seus familiares. O NEPS, com todo trabalho que desenvolve diariamente, é uma importante experiência que está fazendo a diferença na vida de milhares de pessoas através do Sistema Único de Saúde (SUS) e merece destaque. Quer saber mais sobre o NEPS? Acesse:https://goo.gl/s1nkKx

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