Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional

ALZHEIMER: DIAGNÓSTICO PRECOCE E QUALIDADE DE VIDA PARA PESSOAS IDOSAS

Celebrado em 21 de setembro, o Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença de Alzheimer chama a atenção para a importância da informação, do enfrentamento ao estigma associado às demências e, sobretudo, do diagnóstico precoce. A data foi instituída em 1994 pela Alzheimer’s Disease International (ADI).

A mobilização ganha ainda mais força durante o Setembro Lilás, período dedicado à conscientização sobre a doença de Alzheimer e outros tipos de demência. Neste ano, a campanha reforça a importância do diagnóstico como um passo fundamental para que a pessoa e sua família tenham acesso, o quanto antes, ao acompanhamento e aos cuidados necessários.

Identificar precocemente alterações cognitivas e funcionais pode contribuir para um planejamento mais adequado do cuidado e para a adoção de estratégias destinadas à preservação da autonomia, da independência e da qualidade de vida. Nesse processo, a atuação multiprofissional é fundamental, com a participação de profissionais como fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais.

Fisioterapia e manutenção da funcionalidade
A Fisioterapia desempenha papel importante no acompanhamento das pessoas com demências, atuando na manutenção da mobilidade, da capacidade funcional e da independência, além da prevenção de complicações decorrentes da progressão da doença.

“Reconhecer as disfunções desde cedo ajuda o fisioterapeuta a atuar não apenas na reabilitação, mas também na prevenção. Precisamos manter a autonomia e a independência, otimizando a funcionalidade e favorecendo um viver digno e com qualidade para as pessoas com demências”, destaca o fisioterapeuta e coordenador da Câmara Técnica de Fisioterapia em Gerontologia, Dr. Igor Pinheiro.

A intervenção fisioterapêutica pode incluir estratégias voltadas ao equilíbrio, à mobilidade, à força muscular e à capacidade de realizar atividades com maior segurança, considerando as necessidades e a evolução de cada pessoa.

Terapia Ocupacional e autonomia no cotidiano
A Terapia Ocupacional também exerce papel essencial no cuidado às pessoas com demências, especialmente na preservação da autonomia e da participação nas atividades do cotidiano. A atuação pode envolver a adaptação de tarefas, ambientes e rotinas, buscando favorecer a segurança, a independência e a participação em atividades significativas.

“Quanto mais cedo o diagnóstico das demências e o início do acompanhamento pela Terapia Ocupacional, maiores são as possibilidades de preservar a autonomia e a independência nas Atividades de Vida Diária (AVDs) e nas Atividades Instrumentais de Vida Diária (AIVDs), favorecer a participação em atividades significativas e manter a funcionalidade, contribuindo para um envelhecimento ativo e com qualidade de vida”, pontua a terapeuta ocupacional especialista em demências, conselheira do CREFITO-7 e coordenadora da Câmara Técnica de Terapia Ocupacional na Gerontologia, Dra. Joice Paixão.

Atenção aos primeiros sinais
Alterações persistentes na memória recente estão entre os sinais que merecem atenção. Esquecer repetidamente conversas, acontecimentos recentes ou informações importantes, sobretudo quando essas alterações começam a interferir na rotina e na autonomia, não deve ser considerado simplesmente uma consequência natural do envelhecimento.

Familiares, amigos e cuidadores têm papel importante na percepção dessas mudanças. Diante de sinais recorrentes ou progressivos, é importante buscar avaliação de profissionais de saúde. O diagnóstico adequado permite investigar as causas dos sintomas e, quando necessário, iniciar o acompanhamento e organizar o cuidado de forma mais precoce.

Atendimento pelo SUS
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece assistência às pessoas com suspeita ou diagnóstico de demência por meio da rede de atenção à saúde. Em Salvador, a busca por atendimento pode começar nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Saúde da Família (USF), que realizam a avaliação inicial e, quando necessário, encaminham o usuário para serviços especializados.

O acompanhamento pode envolver diferentes profissionais de saúde, incluindo fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, de acordo com as necessidades de cada pessoa.

Informação, diagnóstico adequado e acompanhamento profissional são aliados importantes para enfrentar as demências e proporcionar mais autonomia, funcionalidade, participação e qualidade de vida às pessoas idosas.