Fisioterapia: quando cuidar também é estar presente
Por Dr. Rodrigo Medina Presidente do CREFITO-7
Há profissões que transformam vidas pelo conhecimento e pela técnica. A Fisioterapia reúne essas duas dimensões, mas acrescenta algo essencial: a presença.
Cuidar de alguém é muito mais do que aplicar uma técnica ou conduzir um exercício. É conhecer uma história, compreender limites, respeitar medos, comemorar conquistas e, muitas vezes, permanecer ao lado do paciente nos momentos mais difíceis.
A morte de Glória Menezes, ontem, trouxe essa dimensão humana da Fisioterapia para o centro das atenções. No dia seguinte à sua partida, a fisioterapeuta que a acompanhava ganhou destaque ao compartilhar não apenas aspectos do cuidado profissional, mas também a amizade construída ao longo do tempo.
Essa história revela algo que nós, fisioterapeutas, conhecemos bem: o tratamento acontece entre pessoas. A técnica é indispensável, o conhecimento científico é inegociável, mas o vínculo também faz parte do cuidado.
Quando existe confiança, o paciente se sente mais seguro para falar sobre suas dores, limitações e expectativas. E o profissional passa a compreender aquele indivíduo para além do diagnóstico.
A história de Preta Gil também traduz isso. Durante oito anos, a cantora foi acompanhada por sua fisioterapeuta, em uma trajetória que começou com uma dor no joelho e atravessou diferentes momentos de sua vida, inclusive o tratamento contra o câncer. Ao longo desse período, construíram uma relação marcada por amizade, respeito e confiança.
São histórias de pessoas conhecidas, mas que representam milhares de brasileiros. O paciente que volta a caminhar depois de um acidente. Quem recupera movimentos após um AVC. A pessoa que retoma o trabalho, o esporte ou atividades simples do cotidiano. O paciente oncológico que busca preservar sua funcionalidade e qualidade de vida.
A Fisioterapia está presente em todas essas histórias.
O bailarino Carlinhos de Jesus, ao falar sobre sua recuperação, resumiu o sentimento de muitos pacientes em uma frase: “Fisioterapia é tudo na vida da gente”. É uma afirmação simples, mas poderosa, porque traduz o impacto que o trabalho do fisioterapeuta pode ter na vida de alguém.
Por isso, defender a Fisioterapia é, acima de tudo, defender o direito das pessoas a um cuidado de qualidade.
O COFFITO e os CREFITOs têm papel fundamental nessa missão, atuando pela valorização da profissão, pela qualificação dos profissionais, pela segurança da assistência e pela ampliação do acesso à Fisioterapia.
No CREFITO-7, entendemos que essa defesa também precisa acontecer no diálogo permanente com gestores públicos e instituições responsáveis pelas políticas de saúde. É preciso mostrar que a Fisioterapia deve estar cada vez mais presente na rede pública, chegando a quem precisa, independentemente de sua condição financeira ou do lugar onde vive.
Em um mundo cada vez mais marcado pelas telas e pela distância, a relação presencial entre profissional e paciente continua tendo um valor imenso. O olhar atento, a escuta, o toque, a conversa e a confiança construída ao longo do tratamento são parte do cuidado.
A Fisioterapia nos lembra que cuidar também é estar presente.
As histórias de Glória Menezes, Preta Gil e Carlinhos de Jesus ajudam a mostrar isso ao grande público. Para nós, representam algo ainda maior: a certeza de que cada atendimento pode ser também um encontro humano.
Quando ciência, técnica, ética e humanidade caminham juntas, a Fisioterapia cumpre sua missão: ajudar as pessoas a viver com mais movimento, autonomia, dignidade e qualidade de vida.
É por isso que defender a Fisioterapia é defender pessoas.
E garantir que ela chegue a todos é defender o direito à saúde.
Dr. Rodrigo Medina Presidente do CREFITO-7


